Salomão, Kaiuca & Abrahão

Ericson Bagatin afirma que adoção de medidas protetivas na indústria do amianto reduziram casos de doença
Supremo Tribunal Federal
 
 
25/08/2012

Entre os especialistas que discutiram o uso do amianto no Brasil, no Supremo Tribunal Federal, esteve o médico e pesquisador Ericson Bagatin, professor da área de saúde do trabalhador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Bagatin foi o coordenador do Projeto Asbesto, considerado o mais abrangente estudo epidemiológico já realizado no Brasil para avaliar os efeitos na saúde decorrentes da exposição ao asbesto na atividade de mineração.

“O Brasil já usa o amianto há mais de 100 anos, é o terceiro exportador do mundo, tem milhões de coberturas, tem mais de 50 mil trabalhadores que já foram expostos apenas na atividade da mineração e do fibrocimento e não tinha nenhum estudo com uma metodologia adequada até 1996”, afirmou. Na audiência pública desta tarde, ele falou em nome da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e em nome do Instituo Brasileiro de Crisotila (IBC).

O pesquisador afirmou que o estudo demonstrou uma redução no número de doenças a partir do momento em que a mineração se restringiu à exploração do amianto variedade crisotila, em níveis reduzidos de concentração de fibras suspensas no ar e também a partir da implementação das medidas de proteção coletiva a partir de 1977.

Com base no estudo – que observou 4.220 mineiros separados por grupos cronológicos, que trabalharam em condições distintas de exposição às fibras suspensas no ar – Bagatin afirmou que a ocorrência de doença pleural foi substancialmente maior nos expostos entre os anos de 1940 a 1966 e entre 1967 a 1976, que apresentaram maior tempo e carga de exposição, comparativamente aos mineiros dos períodos entre 1977 a 1980 e a partir de 1981.

O primeiro grupo foi composto por 195 mineiros que trabalhavam na  mina de Poções (BA), entre 1940 a 1966. Eles foram expostos a dois tipos de asbesto (crisotila e tremolita), numa concetração média de 20 fibras por centímetro cúbico de ar. Essa mina foi fechada em 1967. O grupo intermediário foi composto por 3.021 trabalhadores admitidos na mina de Canabrava (GO), com exposição somente ao crisotila, numa concentração inferior de fibras no ar. O terceiro grupo foi formado por trabalhadores de Minaçu (GO), admitidos a partir de 1980, quando já estavam em vigor as medidas de proteção coletiva adotadas pelo setor.

VP/EH

URL: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=216151

 
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